segunda-feira, agosto 30, 2004

Um bronze pintado a ouro

A medalha de ouro é o prêmio máximo dado a um atleta em uma olimpíada, o souvenir olímpico perseguido pelos competidores. Porém, o que fica gravado na memória das pessoas nem sempre é a obtenção do primeiro lugar. Um exemplo, já manjado, é o caso da suíça Gabrielle Andersen-Scheiss, que cruzou os últimos metros da maratona feminina, em 1982, completamente esgotada e acabou virando um símbolo do espírito olímpico.

Pois não é que, já no apagar das luzes gregas, na mais tradicional prova da história dos jogos, um brasileiro ganhou seu momento de glória, mesmo não tendo chegado ao degrau mais alto do pódio? Acredito que o italiano conseguisse ultrapassar o nosso representante, mesmo se o ensandecido de saias não tivesse dado o ar de sua falta de graça. De repente até mesmo a prata continuasse com o atleta dos Estados Unidos. Mas o que será repetido à exaustão, sempre que houver uma retrospectiva das edições olímpicas, não será a entrega do ouro ao maratonista Stefano Baldini. A imagem que ficará marcada dessa maratona em Atenas, será o olhar apavorado de Vanderlei Cordeiro de Lima, diante da aproximação do irlandês maluco.

Não bastasse tudo isso, Vanderlei ainda vai embora da Grécia levando na bagagem uma medalha de bronze, a "Medalha Pierre de Coubertin" e 200 mil reais do Grupo Pão de Açúcar. Ô, cara de sorte!

domingo, agosto 22, 2004

Arrematando a tarde no samba


A dica de hoje é pro final da tardinha, no Tanque vai ter festa de apresentação dos sambas de enredo do G.R.E.S. Renascer de Jacarepaguá.

Além de ser uma possibilidade de ver a nova formação da bateria, tendo o Mestre Paulão dirigindo, é uma oportunidade de conferir o que os compositores estão preparando para tentar entrar no Grupo Especial de 2005.

A única coisa que me interessa, Av. Sapucaí, me aguarde... Ano que vem estarei percorrendo sua pressão arterial do carnaval. As veias abertas do samba carioca em ritmo de caixa, surdo, repique, tamborim e ganzá.

Então está combinando, final da tarde lá pelas 16 horas a bateria vai aquecer seus tambores. A quadra da Renascer fica na Rua Nelson Cardoso - Tanque em Jacarepaguá. A entrada é franca.

terça-feira, agosto 17, 2004

Como é que é?

Cerimônia de entrega de medalhas do judô masculino. O comentarista da SPORTV declara: "Parabéns ao Flávio Canto, que vem caçando uma medalha desde Atlanta! Bronze para o Brasil!". Imediatamente, o locutor sapeca essa: "Que dia iluminado para o Flávio! É aquele negócio, quando o atleta acorda em um dia inspirado, ninguém segura"! Pera lá. Se realmente ninguém o tivesse segurado, não seria o caso dele estar recebendo a medalha de ouro?

Pano rápido!

Há males que vêm para o bem!

Calma Fred... o sumiço dos comentários anteriores foi por uma boa causa!

Esse sistema de comentários padrão, que já vem no blogger, é muito ruim. Para a pessoa fazer um comentário, tem que mudar de tela umas três vezes! Pra piorar, quem não é cadastrado no blogger.com só pode incluir o seu comentário como "anonymous". O que dificulta muito a participação de outros coleguinhas...

Esse novo sistema, o backBlog, é muito melhor, já que qualquer pessoa pode se identificar, colocando nome, email e home page, além de ser aberto em uma janela "pop up", permanecendo na mesma tela do blog.

Eu salvei a template antiga, caso desse algum problema. Caso os caros confrades não tenham gostado da mudança, eu reativo o modelo antigo!

Testando

:: Verificando novo sistema de comentários ::

segunda-feira, agosto 16, 2004

De olhos bem abertos

Nunca fui de praticar esportes. Nas peladas, de rua ou de colégio, nunca era escolhido pelos "capitães" dos times e só participava das pelejas por ordem do professor, mesmo assim a contra-gosto.

Mas sempre considerei um momento especial as olimpíadas do CAp-UERJ, colégio onde estudei o ginásio. Tá legal, confesso que adorava o fato de ficar sem aulas durante uma semana inteirinha, por conta do evento. Mas não perdia um dia sequer de competição, indo integrar a torcida de minha bandeira (a cada ano, o aluno era sorteado para uma cor de bandeira, de acordo com o seu número na chamada).

E se uma competição de estudantes já me despertava interesse, o que dizer da maior de todas as festas do esporte mundial, com a participação dos melhores atletas do planeta? Não tem doído nadinha ficar em casa, debaixo do cobertor, curtindo esse friozinho enquanto assisto ao festival de jogos que são transmitidos em uma ótima cobertura da televisão brasileira.

Nesses primeiros dois dias de evento, já deu para presenciar boas cenas, sejam elas engraçadas ou emocionantes. Quem viu, por exemplo, a cara de "o que foi que aconteceu?" do esgrimista que fora derrotado na final em questão de segundos? Ou a vitória da seleção de Porto Rico sobre os "papões" dos EUA, no basquete? Momento mágico foi a saída da pequena Daniele Hipólito das barras assimétricas, com uma finalização perfeita, com os dois pés no chão.

Mas a imagem mais emocionante, até agora, para nós brasileiros, foi a despedida de Gustavo Borges. Quatro olimpíadas e quatro medalhas depois (duas de prata e duas de bronze), o nadador chorou ao dar adeus às competições olímpicas. Um atleta como ele sabe muito bem a dificuldade que é viver de esporte no Brasil, principalmente os considerados "amadores". Para conseguir chegar aonde chegou, Gustavo precisou até mesmo sair do país, em busca de centros de treinamentos mais adequados. As lágrimas desse nosso herói revelam muito mais que a tristeza de não estar presente nas próximas olimpíadas. Mostram também a falta de respaldo, por parte dos órgãos oficiais brasileiros, em relação ao esporte nacional. Enquanto o nosso ministro de esportes segue em sua especial predileção por pagas micos homéricos, nossos atletas continuam fazendo esforços hercúleos para conseguir para o Brasil um punhado de medalhas, conquistadas a custa de talentos individuais.

E como isso aqui é um buteco, mesmo que virtual, vale puxar aqui um samba pra animar o papo. Esse vai pra você, Gustavão!



Moleque Atrevido
Jorge Aragão - Flavio Cardoso - Paulinho Rezende

Quem foi que falou
Que eu não sou um moleque atrevido
Ganhei minha fama de bamba
No samba de roda
Fico feliz em saber
O que fiz pela música
Faça favor
Respeite quem pode chegar
Onde a gente chegou
Também somos linha de frente
De toda essa história
Nós somos do tempo do samba
Sem grama, sem glória
Não se discute talento
Nem seu argumento
Me faça o favor
Respeite quem pode chegar
Onde a gente chegou
E a gente chegou muito bem
Sem a desmerecer a ninguém
Enfrentando no peito um certo preconceito
E muito desdém
Hoje em dia é fácil dizer
Essa música é nossa raiz
Tá chovendo de gente
Que fala de samba
E não sabe o que diz
Por isso vê lá onde pisa
Respeite a camisa que a gente suou
Respeite quem pode chegar onde a gente chegou
E quando chegar no terreiro procure primeiro
Saber quem eu sou
Respeite quem pode chegar onde a gente chegou

Como se diz "moleza" em alemão?



Notícia veiculada, ontem, na imprensa: "Só Michael Schumacher e Rubens Barrichello podem ser campeões este ano". Em bom formulaunês, isso quer dizer: "Schumacher é heptacampeão de Fórmula 1".

quinta-feira, agosto 05, 2004

Me tira o tubo... de imagem!



Ontem dei trabalho ao controle remoto. Enquanto a Globo transmitia a pelada para o Rio de Janeiro, tentei achar algo mais interessante para ver, além do mundo dos Marinho. Confesso que torci para que o Show do Milhão do Sílvio não tivesse saído do ar. Saracotiei pelos programas de João Kleber, Preta Gil, Adriane Galisteu, Luciana Giemenez.. até que, resignado, acabei apontando novamente o aparelhinho da NET para o canal 19. Bem a tempo de ver o Tuta ser gentilemnte convidado pela defesa (sic) do Flamengo a adentrar sua área e fuzilar o pobre Júlio César. Em que será que pensou nosso bravo arqueiro enquanto buscava a bola no fundo da rede?

Intervalo de jogo, o repórter corre para entrevistar Athirson. "O time jogou bem", declarou o número 6 do Fla. Estanquei. Pensei logo que havia perdido algum lance importante, imaginando que o nosso lateral-esquerdo tivesse sido atingido violentamente pelo adversário, tipo a entrada do Leonardo pra cima do Tab Ramos na Copa de 1994, saca? Afinal, só alguém impedido do pleno uso de suas faculdades mentais poderia deixar de perceber que, para o "time jogar bem", era preciso que esse time entrasse em campo. Ou será eu o louco aqui? Falando em louco, PC Gusmão gritava feito tal à beira do gramado, tentando posicionar em campo o bando vestido de rubro-negro. Meu caro PC, é mais fácil tentar o Playstation. Lá, pelo menos, você pode usar o joystick...

Resumo da ópera, que, para o nosso caso, está mais para réquiem: em todos os momentos da partida, eu lembrava daquele célebre bordão do personagem que sobrevivia com ajuda de aparelhos, encarnado por Jô Soares. Ao se deparar com algo que lhe causava desgosto, o moribundo sempre exclamava: "Me tira o tubo!"